Sinfonia Sideral - O que é Rock Progressivo?

O que é Rock Progressivo?

Retirado da Rock Progressivo Brasil: http://www.rockprogressivo.com.br
(com algumas alterações/adições)

O objetivo desta página é apenas orientar aos navegantes sobre os possíveis conceitos de Rock Progressivo e suas variações. Sabemos que nem sempre é possível classificar o estilo, mas de alguma forma achamos necessário tentar pelo menos esclarecer o cenário progressivo desde o final da década de 60, quando surgiram na Inglaterra as primeiras bandas deste gênero amado e odiado por muitos em todo o mundo.

Este não é uma guia definitivo, mas acredito que esta lista tenha boa utilidade. Suas próprias opiniões podem diferir baseado em suas experiências ao ouvir um determinado disco.

Definição de Rock Progressivo

Existem diversas definições para o RP, e todas elas obviamente relacionam-se aos conceitos envolvidos. A palavra "progressivo" vem sendo definida como "ir em frente", por exemplo. Baseado nas características apontadas pelo jornalista Leonardo Nahoum, em sua Enciclopédia do Rock Progressivo, definimos assim o Rock Progressivo:

"Músicas de longa duração, desde os seus quatro minutos até os discos de uma única faixa; utilização e apropriação de elementos de vários estilos não comumente associados ao rock: a música folclórica (do país da banda em questão), o jazz, a música erudita (incluindo aí o clássico, o barroco, o medieval, o renascentista, o romântico, o moderno e o contemporâneo em todas as suas vertentes), o blues, etc; uma maior complexidade das composições, tanto em termos de melodia quanto de arranjos e ritmo, em comparação ao que normalmente se entende por Rock. Uma busca pela experimentação e por sons exóticos, daí a importância dos teclados e sintetizadores para o estilo; uma variedade de ritmos e tonalidades dentro de uma mesma composição, gerando a tal impressão de música "difícil e/ou pretensiosa" e o rompimento com o caráter dançante do rock."

Outras características do estilo: "movimentos que formam um todo orgânico, com crescendos, solos coletivos e finais falsos como alternativas ao formato-canção."

O Progressivo também pode ser encarado como uma música pop/rock de altíssimo nível com todas as características descritas nos dois parágrafos acima.

Existem diferentes categorias de Rock Progressivo?
Este guia do estilo foi escrito por Mike McLatchey e aparece aqui com sua permissão.

"Convencionalmente, sim. Existem muitos sub-gêneros, e cruzamento entre estes. Abaixo uma breve e necessariamente incompleta descrição destes gêneros (muitos foram baseados na GERP - Gibraltar Enciclopédia de Rock Progressivo)."

Ambient (Ambiente)
Um estilo no qual as bandas de música eletrônica (contudo nem sempre eletrônicas) que tentaram este formato de música eram normalmente muito experimentais. Talvez uma das formas mais simples e enganosas de rock progressivo.
Exemplos: Eno, Laraaji, música new age.
OBS.: Nem toda ambient music (música ambiente) é new age, apesar deste gênero possuir uma vertente com este mesmo nome. A ambient music praticada por um músico como Brian Eno, por exemplo, pode ser vinculada à música eletrônica em geral, ou mesmo à new age, como preferirem. Apesar do idealizador deste site Sinfonia Sideral concordar que existem músicas ambientes devagar quase parando e/ou bastante diluídas, é preciso observar que o autor da definição acima julgou o estilo de forma pessoal e parcial, a partir de suas opiniões. Concluindo: é tudo uma questão de rótulos, envolvendo estilos e sub-estilos; o veredicto final fica a cargo do visitante desta página.

Rock Progressivo Tradicional
É aquele que alia a energia rítmica do rock (através da sua interpretação básica de guitarra, baixo e bateria) com uma grande beleza melódica e complexidade de arranjos (proporcionada pelos "tapetes mágicos" sonoros dos teclados e, em muitos casos, por instrumentos atípicos ao rock, como flauta, violino e violoncelo).
Exemplos: Eloy, Jane, Grobschnitt, Nektar, Triumvirat
OBS.: A categoria e a definição acima são de autoria de Cláudio Fonzi, e foi publicada originalmente no fanzine Metamúsica, edição nº 6, no artigo especial 'O Movimento Progressivo Alemão', por isso a presença de bandas alemãs como exemplos. O Eloy, dependendo do trabalho, também pode ser enquadrado como hard-prog, sinfônico (devido às influências de Yes e Genesis), espacial (influência do Pink Floyd) ou krautrock. O mesmo ocorre com os outros nomes citados.

Art Rock (Rock Arte)
Um nome usado para referir-se aos trabalhos iniciais que têm as suas raízes no pop. Freqüentemente é mais uma atitude do que um aspecto musical propriamente dito.
Exemplos: Be Bop Deluxe, Eno (no início), Roxy Music
OBS.: Como acontece com o progressivo sinfônico, que costuma ser geralmente usado como sinônimo de todo o rock progressivo - de forma errônea, diga-se -, o mesmo ocorre com o art rock, outras tantas vezes.

Canterbury
Uma região na Inglaterra, onde originou-se um estilo único e próprio. O nome desta região tornou-se o nome deste estilo. Uma das formas mais antigas reconhecidas como progressivo, a música de Canterbury enfatiza uma sucinta complexidade e soa extremamente Inglês. As idéias resultantes desta forma de música são bastante originais. Freqüentemente quase um jazz de uma forma suave e leve, integrando estas influências jazzísticas de forma única.
Exemplos: Caravan, Soft Machine, Hatfield & The North, National Health

Rock Clássico
Mais acessíveis, bandas como The Nice empenharam-se em fundir a música clássica com as estruturas do rock. Pomposas mas freqüentemente bem sucedidas em sua época. Normalmente uma formação em trio.
Exemplos: The Nice, ELP, Le Orme, Ekseption, Trace, The Trip
OBS.: Este termo às vezes é também usado como sinônimo de rock progressivo sinfônico - o que, em alguns casos, é verdade, dependendo da banda e da obra -, e de rock progressivo em geral - o que já é um erro.

Progressivo Eletrônico
Erradamente categorizada como sendo new age, a maior parte desta música já existia antes deste termo ser criado. Muito exploradora, este é um campo aberto e é representado pelo uso de equipamentos eletrônicos, como já diz o nome. Há uma concentração na sonoridade e na "textura" sobre e acima dos outros atributos musicais. Freqüentemente muito espacial e etérea. O Kraftwerk dos anos 70 já é representante de um progressivo eletrônico que nada tem a ver com new age, música cósmica ou contemplativa.
Exemplos: 70's Tangerine Dream, Klaus Schulze, Steve Roach, Popol Vuh, Kit Watkins, Jean-Michel Jarre e Neuronium

Experimental/Industrial
Freqüentemente é uma música hard core experimental, onde pode acontecer de tudo. Muito difícil para o recém-chegado. O uso de "barulhos", objetos, música concreta e às vezes power tools. Geralmente focalizada na textura e na sonoridade à custa do resto, tornando-se uma área fascinante para os aventureiros.
Exemplos: Einstürzende Neubauten, Nurse With Wound, Hafler Trio, Main, Coil

Jazz-Rock
Também chamado de jazz progressivo. Existem dois tipos de jazz-rock: o próprio - jazz-rock -, também chamado de fusion e que é feito com guitarra; o outro é o free-jazz, o qual não possui guitarra e não é comumente associado ao rock progressivo. Para outros autores, o jazz-rock ou fusion, e o free-jazz, são sub-vertentes da vertente Jazz Progressivo.

Fusion
Jazz-rock explorador: uma fusão como sugere o nome. Talvez um pouco mais jazz do que a maioria do rock progressivo, mas mais rock do que a maioria do jazz. Freqüentemente composto por músicos virtuosos. Como descrito no parágrafo anterior, é o jazz-rock feito com guitarra.
Exemplos: Mahavishnu Orchestra, Brand X, Iceberg, Arti+Mestieri
OBS.: Há pessoas que dizem haver distinção entre os termos jazz-rock e fusion. Eu não sei qual é a diferença.

Krautrock
Um leve termo usado de forma politicamente incorreta e erradamente utilizado para referir-se à forma de rock bastante estranha originado na Alemanha nos anos 70. Tipificado com um estilo bastante improvisador, solto com largas proporções de experimentação e com um "tempero" leve e caprichoso. Freqüentemente difícil de se escutar, quase sinistro e secretamente intelectual. Muito influente em diversas áreas até os dias de hoje.
Exemplos: Can, Amon Düül II, Faust, Xhol, Agitation Free, Tangerine Dream (inicial), Ash Ra Tempel

Progressivo Neo-Clássico
Música que mistura a música clássica do século 20 com as novas estruturas do rock. Às vezes referenciado como "rock de câmara", pode ser de difícil apreciação já que primeiramente os artistas desta espécie estavam direcionados e eram muito diferentes. Além disto, tende a ser muito complexo, exigindo muitas audições para formar uma opinião.
Exemplos: Univers Zero, Art Zoyd, ZNR

Neo-Progressivo
Rock sinfônico feito em um formato tipicamente simplificado ou mais comercial. Freqüentemente rico e melódico mas sem a complexidade do tradicional rock progressivo. Um fenômeno dos anos 80 e 90.
Exemplos: Marillion, iQ, Pendragon, Twelfth Night, Aragon, Jadis, Grey Lady Down
OBS.: Alguns autores também consideram como neo-progressivos os trabalhos pop de Peter Gabriel (anos 70 e 80), Genesis (anos 80) e Yes (anos 80), utilizando ou não o termo pop progressivo, ou progressivo-pop.

Folk Progressivo
Variação de uma música que pega simples canções folk e faz algo bastante novo com ela. Há várias formas de se fazer isto. Um cruzamento entre o folk, ou o folk-rock, e o rock progressivo. Alguns nomes do folk progressivo também pertencem à categoria do progressivo sinfônico, como é o caso do Jethro Tull e do Renaissance.
Exemplos: Emtidi, Witthüser & Westrupp, Malicorne, Mellow Candle

Hard Progressivo
Nos anos 70, existiram bandas que fundiram o hard-rock (um estilo de rock pesado da época e mais voltado para o público adolescente, além de menos elaborado que o progressivo) com a majestosidade e grandiosidade do rock progressivo. A isso dá-se o nome de Hard Progressivo. O exemplo mais clássico é a banda Uriah Heep. Há casos de bandas puramente hard-rock que tiveram seus momentos hard-prog em uma ou outra música - ou disco -, em estúdio e/ou ao vivo, vide Deep Purple e Led Zeppelin. A Alemanha também possui os seus representantes hard-prog.

Metal Progressivo
Heavy metal influenciado pelo rock sinfônico ou fusion. Normalmente é bem mais complexo do que o metal comum, enfatizando a virtuosidade dos músicos. Há quem também use o termo metal sinfônico. Talvez uma extensão do hard progressivo.
Há autores que associam ao rock progressivo (ainda que citando-o apenas como influência) certos trabalhos dentro do metal fora da vertente do metal progressivo, ou seja, pertencentes a outras vertentes, devido às suas características mais melódicas, mais épicas, mais trabalhadas e mais elaboradas. Exemplos: Iron Maiden anos 80 (New Wave of the British Heavy Metal); Metallica anos 80 (thrash-metal); as bandas italianas, alemãs e nórdicas pertencentes às vertentes metal melódico, metal épico, metal sinfônico, metal gótico, doom, metal progressivo, power metal.
Exemplos: Dream Theater, Fates Warning, Watchtower, Siege's Even, Cynic, Atheist

Rock In Opposition (RIO) - Rock Em Oposição
Um nome cunhado pelo ex-baterista da banda Henry Cow, Chris Cutler. Este tipo de música consistentemente oposiciona-se à categorização (com exceção para o "RIO") e é extremamente desafiador e freqüentemente de difícil audição. Contudo, é bastante recompensador no decorrer do tempo, sendo que as letras estão propensas à política. Tecnicamente, bandas como Art Zoyd e Univers Zero são RIO já que elas foram subscritas para o Cutlers (ampla música étnica em sua concepção original). Contudo, o trabalho superou sua conotação política original e agora é usada para referir-se à artistas retratando uma aproximação com o Henry Cow inicial, a banda principal de RIO.
Exemplos: Henry Cow, Art Bears, Samla Mammas Manna, News From Babel, Thinking Plague, Etron Fou Leloublan etc.

Fusion Espacial (Space Fusion)
Um termo grosseiro para especificar a banda Gong pelo seu estilo único de jazz fusion e ambientação. Bastante enérgico e concentrado em longas improvisações com solos de matizes psicodélicas.
Exemplos: Gong, Ozric Tentacles, Neo, Carpe Diem, alguns trabalhos do Djam Karet

Rock Espacial (Space Rock)
Como o anterior, mas sem a abordagem jazz e mais direcionado a um tipo avançado de rock espacial.
Exemplos: Hawkwind, Amon Düll (inglês), Pink Floyd, Gong
OBS.: Há quem também inclua o Tangerine Dream nesta categoria.

Progressivo Sinfônico
Definição 1:
Caracterizado pela riqueza de teclados/sintetizadores, vocais bastante melódicos e estruturada sobre trechos de música clássica, com arranjos direcionados para o rock instrumental, ultrapassando os limites do formato comum do rock. Se ridicularizarem o rock progressivo, este é quase sempre o estilo a que estarão se referindo. Vocé poderá ouvir com freqüência este gênero sendo erradamente usado como sinônimo para todo o rock progressivo (música progressiva) e chamado de "pretensioso" ou "excessivo". Nem todo rock progressivo é sinfônico.
Exemplos: Yes (início), Genesis (início), Camel, Atoll, Mirthrandir, Änglagård

Definição 2:
É aquele que, embora mantendo a instrumentação "rock", preocupa-se fundamentalmente com a melodia, possuindo verdadeiros arranjos orquestrais executados por sintetizadores, melotrons, flautas, violinos, etc, ou até mesmo com o auxílio de orquestras completas. Esta é uma das ramificações da Música Progressiva onde o termo "rock" não soa adequado, pois não há uma base rítmica condizente com o gênero.
Exemplos: Pell Mell, Wallenstein, Novalis
OBS.: Esta segunda definição é de autoria de Cláudio Fonzi (ver a fonte no parágrafo sobre 'Rock Progressivo Tradicional'), assim como os exemplos, todos alemães.

Zeuhl
Termo utilizado para referir-se a uma forma particular de jazz fusion, às vezes com grande influência de Coltrane mas adotando a linguagem grandiosa e harmônica de certos trabalhos clássicos.
Exemplos: Magma, Weidorje, Zao, Shub-Niggurath, Honeyelk, Musique Noise

Deve-se citar ainda as bandas que, devido a sua singularidade, particularidade, peculiaridade e especificidade, terminaram por criar e fundar estilos e escolas inteiramente únicos, destacando-se das demais bandas.
Exemplos: Gong: ver o parágrafo sobre 'Fusion Espacial';
                Gentle Giant: sua mistura única de elementos medievais, renascentistas, barrocos, folclóricos, jazzísticos, eletrônicos e Rock, além da utilização das diferentes vozes de seus três vocalistas, os irmãos Shulman;
                Genesis:
com sua teatralidade como elemento adicional, influenciou uma miríade de bandas, especialmente os neo-progressivos dos anos 80.


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